sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Liverpool e Manchester, expressões da história, do futebol e da música

Apesar de a seleção inglesa de futebol ter apenas um único resultado expressivo em competições internacionais em toda sua história, o berço do futebol carrega rivalidades interessantes e, dentre elas, uma se destaca. Manchester e Liverpool, os gigantes do noroeste, uma rivalidade que extrapola os limites do futebol, tem origem na revolução industrial e são sentidas até mesmo na música, para alguns, no melhor da boa música.

Manchester e Liverpool são cidades distanciadas por pouco mais de 50km. Manchester sempre foi símbolo da revolução industrial pelas suas fábricas, sobretudo têxteis, que abasteciam o mundo, mas a matéria prima tinha que chegar de algum lugar e esse lugar era o porto de Liverpool. O porto, com o monopólio dos transportes começara a estabelecer altas taxas sobre os produtos que teriam Manchester como destino e a disputa pela supremacia econômica da região dava início.

Manchester resolveu construir um canal, criando uma alternativa para que a matéria prima não mais fosse obrigada a passar pelo porto, o que é retratado até hoje no escudo do Manchester United e que diminuiu significativamente a importância da cidade portuária que havia se fortalecido desde a peste e o grande incêndio de Londres em meados do séc. XVII. Liverpool volta a ganhar notoriedade com a música que também é representada no escudo de seu principal clube, com “You’ll Never Walk Alone”, composta para o musical Carousel em 1945 e gravada por nomes como Frank Sinatra e Elvis Presley.

No futebol, o clube de Manchester, conhecido como Red Devils, foi fundado em 1887 por operários da ferroviária Lancashire and YorkshireRailway (LYR). O Liverpool, por sua vez, ou apenas Reds, foi fundado cinco anos antes, após conflitos envolvendo o presidente do Everton, outro grande clube da cidade, e a direção do Anfield Stadium que o abrigava. O dono de um dos estádios mais espetaculares do mundo, que até hoje combina história e modernidade, era o próprio presidente, que no local fundou o Liverpool, enquanto o Everton transferiu suas dependências para o Goodison Park.

A história dos dois clubes passa inevitavelmente por tragédias, conquistas, grandes atletas e treinadores. Dentre as principais tragédias, podemos citar a queda do avião que transportava a delegação do Manchester United em Munique no ano de 1958 e deixou 23 mortos e o desastre de Hillsborough em 1989, já retratado aqui no blog (aqui e aqui).

Apesar de o Manchester United ser uma das maiores potências da história do futebol, o Liverpool detém duas conquistas a mais do maior torneio de clubes da Europa. Mas a história das duas cidades não se resume a revolução industrial e ao futebol, mas ganha destaque também na música, dando instrumentos para a manutenção da maior rivalidade inglesa.

Na Inglaterra, as próprias torcidas carregam as músicas para dentro do estádio, gritos baseados em Rock, assim como no Brasil há muitas variações do Samba. Se o berço do futebol é a Inglaterra, o berço do Rock é o noroeste inglês.

Um termo bastante utilizado quando o assunto é Rock é o Mersey sound ou Merseybeat, em função do Rio Mersey que liga as duas cidades e faz uma conexão única na história da música. O termo começou a ser utilizado na década de 70 com a explosão das bandas britânicas.

E quando falamos de Rock e ainda concentramos a discussão em Liverpool, não devemos deixar de lado The Beatles, que não necessita de maiores apresentações. Liverpool já foi considerado por muitos não só um berço do Rock, mas também a capital do Pop, pois a cidade concentrou o maior número de primeiros lugares nos rankings de todo o mundo. Quem marca também a cidade é Elvis Costello, considerado por alguns a “enciclopédia do pop”, além da banda Echo & the Bunnymen.

Manchester traz para o cenário mundial um seleto grupo de bandas cultuadas em todo o mundo, como o Oasis, que a partir dos anos 90 transformou significativamente o Rock, não só pela música, mas pela atitude e comportamento peculiar dos irmãos Gallargher. Mas outras bandas da capital operária também são expressões máximas da música, como The Stone Roses, o qual teve seu disco de estreia eleito por duas vezes pela revista NME e uma pelo tabloide The Observer, o melhor disco britânico de todos os tempos e Bee Gees, banda com a trilha sonora mais vendida da história ("Saturday Night Fever") em "Os Embalos de Sábado à Noite".

The Smiths nas vozes de Morrissey e na guitarra de Johny Marr é considerada por muitos a mais importante banda de rock alternativo a surgir nos anos 80, influenciando bandas de todo o resto do mundo. Não podemos esquecer também do Joy Division com alguns membros do que viria a ser o New Order, uma das bandas pioneiras em dance music eletrônica, banda também marcada por ser proprietária da Haçienda, a casa de show mais famoso do mundo nos anos 90.

Seja na história, na música, no futebol, Manchester e Liverpool são grandes expressões de rivalidade que contribuíram para a formação do mundo como o temos hoje.

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